DNF Dia nacional do Fusca. A verdadeira historia sobre o DNF, o dia nacional do nosso querido Fusquinha.
- Thiago Calixto
- 26 de jul. de 2025
- 4 min de leitura

FOTOS E TÊXTO: THIAGO CALIXTO
Modelos de carros existem por aí aos montes.
Com uma data nacional de celebração?
Alguns. O Corvette por exemplo tem o seu “National Day” celebrado todo 30 de junho, lá nos EUA.
Mas nenhum carro tem o carisma e a personalidade do nosso Fusquinha. Um carrinho que parece até ter vida própria. Mística reforçada pela série de Filmes do Herbie, ou pelo desenho animado Carangos e Motocas, onde o simpático Fusquinha vermelho Wheelie, se comunicava através de expressões bastante humanizadas, enquanto tentava se livrar das armadilhas do bando do Motocão.

Mas estas histórias não ficam apenas nas telas, como também fazem parte da vida real. Quem não sabe de um Fusquinha que tenha nome próprio (alguns são até influencers), ou que tenha tido um defeito que de repente, se resolveu sozinho, ou um comportamento que nos leva a pensar: “parece que tem vida própria”.
Estes dias conversava com um amigo, que há uns 3 anos teve que vender seu Fusca 72 Verde Guarujá - o Seu Oliveira - por um desses motivos de força maior que a vida nos impõe.
Me dizia ele, que as vezes até olha os sites e classificados, mas que não consegue gostar de nenhum.
Reconfortei-o dizendo: “- Tem calma amigo. Fusca é igual Pet: não somos nós que os escolhemos; eles é que nos escolhem!” - ao que ele brevemente concordou.
Comigo foi igual: após vender o meu último Fusca (um Ocre Marajó) passei 15 anos comemorando o DNF como “Fusqueiro não-praticante” até que fui escolhido por um simpático exemplar Verde Pampa do ano 81, que me quis como dono. Duvida?

A história começou no inicio do ano passado, quando fui visitar um 62 ainda 1200cc para comprar na oficina de um amigo. Não brilhou o olho, apesar de ser um carro razoavelmente bom. Num canto da oficina estava lá o 81 Verdinho. Excelente estado, bom preço, mas numa cor que eu não gostava. Foram meses de “namoro” e meu amigo dizendo “- Verdinho está lá te esperando”.

Até que um dia esbarrei numa matéria do Alexander Gromow, (guarde este nome) que dizia das plaquetas de identificação das cores dos Fuscas. O texto além de detalhar os códigos, dizia que em alguns casos, o cód. de cores já descontinuadas foram usados novamente em cores mais novas.
O código 018, era um destes. E advinha quais cores este código compartilhou? O verde Pampa e o Ocre Marajó. Justamente a cor daquele último Fusca que eu tinha vendido lá em 2009.

A descoberta dessa curiosidade me atiçou a ficar com o carro, até que em novembro decidi chamar o meu amigo para rever o verdinho (desta vez com olhos de comprador). Foi quando abri o Instagram e me deparei com uma foto do verdinho no “story” dizendo: reservado!
“- Bom, é o fim da história com esse carrinho” - pensei eu. Mas dois dias depois encontrei o meu amigo, que me contou que a pessoa que tinha dado o sinal desistiu do negócio quando ele estava à caminho do cartório.
Não tinha jeito, o verdinho me escolheu. Fechamos negócio assim que ele me contou da desistência.
Os Fusquinhas são assim.
Até a data em sua homenagem “ele que escolheu”: quer ver?
A grande maioria pensa, que o Dia Nacional do Fusca ( 20 de Janeiro ), é uma referência à data de início de sua fabricação lá no ano de 1959. Não é bem assim - a fabricação começou sim em janeiro de 59, mas logo no começo do mês ( provavelmente no dia 3 ).
Lembra do Alexander Gromow que citei acima? Ex-presidente do Fusca Clube do Brasil (FCB) e um dos maiores nomes na preservação da história do nosso besouro, Alexandre contou em recente entrevista, que o FCB estava fazendo vários eventos em parceria com a fábrica e que no final de 1988 a VW queria fazer um evento maior: a semana do Fusca, onde eles fariam promoções em revisões e peças para desovar os estoques remanescentes (uma vez que o Fusca havia saído de linha em 1986).

A idéia inicial era fazer o evento em 20 de Novembro de 1988 - em Interlagos - mas não deu, pois a pista estaria ocupada. O evento teve então que ser transferido para 1989, e com o desenho já aprovado - do agora clássico - logotipo com o número 20 formando a silhueta de um Fusca, os organizadores acharam uma pena perder aquela idéia tão boa e ter que pensar em outra coisa. Resolveram manter então o dia 20, só que agora de janeiro, mês em que aconteceria o evento.

Acaso do destino, ou capricho do carrinho que queria ver suas formas retratadas no logo? Eu não duvidaria.

pós 15 anos, o mais óbvio pra mim era tirar “a seca” e levar o verdinho para algum dos eventos que aconteceram em homenagem ao DNF e rever os amigos. Mas ele não quis. Após um ano esperando por um novo dono, preferiu passar na estrada comigo, rodando.
Foi um fim de semana de 400 km no trajeto Santos - Atibaia - Santos. Pura tranquilidade.
Aquela sensação boa do simples que funciona (e emociona). Quase chegando em casa, começou a falhar e morrer na marcha lenta (como se não quisesse voltar do passeio).
Birra? Não…
Um gicleur de lenta sujo. Problema solucionado com uma borrifada de Car80 e um belo assoprão. No melhor estilo de quem assopra uma vela de aniversário.
Parabéns Fusquinha!




Comentários