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"Rato Cola" 1967 Um rat cola que anda pregado com seu motor mili sete feito na garagem de casa.

Atualizado: 20 de ago. de 2025

FOTOS E TÊXTO: ADRIANO PIVA


Quem vê um carro no estilo Rat Look talvez não entenda de cara o que está por trás de uma pintura gasta, ferrugem aparente e visual “inacabado”. Mas quem conhece, sabe: esse estilo vai muito além da estética. É uma declaração de autenticidade, de história, de respeito ao tempo. Nada ali é por acaso, cada marca, cada mancha, cada desgaste conta um pedaço da trajetória daquele carro. E é exatamente isso que faz o Rat Look ser tão único e apaixonante.

É dentro desse universo que encontramos o protagonista desta história: um Fusca 1967, carinhosamente apelidado de “Fusca Coca”, que traz uma história de vida, superação e muita personalidade.



O dono da máquina é o Thiago, apaixonado por carros antigos desde os 14 anos, idade em que ganhou seu Fusca como uma forma simbólica de celebração após passar por uma cirurgia cardíaca. “Foi o meu ‘conserto mecânico’”, brinca ele, que desde então nunca mais se afastou do mundo dos air cooled.

Foi nessa fase da vida que nasceu a paixão que o acompanha até hoje, e que deu origem à história com o “Coca”, que já faz parte da família há 10 anos.




O Fusca Coca apareceu na vida de Thiago por meio de um anúncio de um amigo. O mais curioso? Os últimos quatro donos do carro também eram conhecidos dele. E todos, sem exceção, preservaram o apelido e a identidade visual do carro com a escrita original da Coca-Cola. “Quando comprei, ele ainda estava todo original. Só lavei, poli e saí rodando.”



Esse respeito à história do carro é o que mantém viva sua essência Rat Look: nada de pintura nova, nada de esconder o tempo. A pátina é sua assinatura.

Por fora, o Fusca exala nostalgia. Por dentro, é pura transformação. Thiago começou com o motor original 1300, mas depois de um passeio com o pai, o motor fundiu. A partir daí, veio a evolução. Passou por um 1600, e hoje o carro abriga um motor 1700, com câmbio de Variant, carburadores maiores que o 32, comando W110 e tudo feito... na garagem de casa. “Foi um dos maiores desafios. Fechei e montei tudo sozinho, sem mecânico, enquanto ainda cursava engenharia mecânica”, conta.



O visual do carro é agressivo e marcante. O “Coca” desfila com rodas five spoke, pneus 155-55/15 na dianteira e 205-60/15 na traseira. 

A suspensão foi totalmente retrabalhada: encurtado 9 cm de cada lado, mangas de eixo deslocadas, torres adaptadas, facão regulável e amortecedores preparados. “O segredo está aí: muito, mas muito baixo.”



Além disso, ele conta com escapamento dimensionado, faróis de milha de época e interior com bancos baixos e itens originais. As setas e o volante ainda são de fábrica,  um toque de fidelidade à raiz do projeto.



Boa parte do trabalho de mecânica foi feita pelo próprio Thiago. A parte elétrica ficou por conta do Patrick da PAD, suspensão com Daniel da Vittalo Castro, e os amortecedores preparados com o Boy da HTS. Uma rede de amigos que ajudou a dar vida ao projeto.

O “Coca” já foi reconhecido em diversos eventos, mesmo sem troféus, ele é sempre notado. “A galera vê e já fala: ‘Olha o Coca Colaaa!’”, diz Thiago. Ele gosta de aproveitar o carro na estrada, principalmente aos domingos, com viagens curtas pelo interior de São Paulo para tomar um café e curtir o caminho na paz que só um carro antigo traz.




Quando perguntado se ainda pretende mudar algo no carro, a resposta é direta: “Nunca. As pátinas e tudo que foi feito deixam o carro com a minha cara. Vai ficar assim.”

“Se você tem vontade de ter um carro antigo, vai em frente. O desafio é grande, mas a felicidade é maior ainda”, incentiva Thiago. “Ele com esta cara de senhor acabado, da trabalho para muito carro novo na faixa da esquerda!”

O Fusca Coca é isto, história, personalidade, garra e muito amor envolvido. Não é só um carro antigo. É um estilo de vida sobre rodas, que mantém viva a essência do passado com muito estilo e atitude.



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